A infâmia – por Ana Maria Machado
Juliana Prado
A agenda de novembro do projeto Estação Pensamento & Arte será encerrada em alto estilo nessa segunda-feira (28). A escritora Ana Maria Machado é a convidada do encontro “Leituras Imperdíveis” onde fará a leitura de trechos de seu último romance adulto Infâmia (Alfaguara). A obra conta a história de vítimas de falsas acusações e escândalos. Apesar de se tratar de um romance ficcional, o livro foi despertado por fatos reais registrados no Brasil em que inocentes foram alvo de acusações injustas. Em conversa por email com o site, a escritora fala do encontro desta segunda e do tema abordado pelo livro: “A medida da infâmia é a dor injusta e desnecessária causada a um inocente”, ressalta. Confira:
Estação Pensamento & Arte – Por que remexer num tema nebuloso como a infâmia, ou as “leviandades profissionais” (para ficar numa expressão sua)? Algum fato concreto a levou a isso?
Ana Maria Machado – Muitos casos concretos, um atrás do outro. A começar pela Escola-Base (em que os diretores foram acusados injustamente de abuso sexual contra alunos) e o Alceni (Guerra, ministro da Saúde do governo Fernando Collor, que foi acusado de desvio de dinheiro na compra de bicicletas para agendas de saúde. Era inocente).
- O jornalista Caco Barcelos se declarou preocupado com os colegas que apuram e jogam as denúncias no ar sem grande preocupação com as consequências. Este é um passo perigoso para se chegar à infâmia, não é?
- Essa preocupação do Caco é exatamente a minha. É esse passo que alimenta a atividade criminosa que é a infâmia. Mesmo que seja só por leviandade e irresponsabilidade, não por má fé.
- Como a Sra. vê as denúncias na imprensa tendo o atual governo como mira?
- Não tenho que me manifestar sobre circunstâncias passageiras. Interessa-me o mecanismo de alguém querer destruir alguém e a dor de quem está sendo destruído. Não pretendo discutir os critérios que fizeram o governo passado montar e o atual herdar esses mecanismos partidários que estão em foco. Ou você acha que a imprensa está com um governo inocente na mira? O que eu estou levantando é a acusação a inocentes sem permitir defesa. Não a cobertura de fatos bem apurados e documentados. E as nuances entre uma coisa e outra estão bem discutidas no livro, não dá para confundir.
- Que mal uma leviandade profissional pode causar, na sua opinião, para uma pessoa falsamente acusada?
- Desde desonrar e sujar o nome da vítima para sempre (ainda mais hoje, que aquilo fica eternamente na internet) até deixá-la em depressão ou levá-la à morte.
- O livro trata da infâmia no universo particular também. Ela é tão perversa quanto a exposição pública?
- Pode ser, porque pode causar dor igualmente intensa. A medida da infâmia é a dor injusta e desnecessária causada a um inocente. Uma forma de crueldade extremamente covarde, que causa muito mal e não expõe a cara do acusador. É sempre uma fonte não identificada, uma insinuação, uma ilação falsa a partir de um fato verdadeiro distorcido, etc.
- Como foi a escolha dos trechos do livro que serão lidos no encontro da Biblioteca de Botafogo? Quais priorizou e por quê?
- Escolhi trechos que tivessem um sentido completo e não entregassem o final da história.
- Seu processo de criação de um romance adulto e denso como Infâmia chega a ser muito desgastante?
- O processo de criação de um livro mais complexo é sempre desgastante, seja adulto, juvenil ou infantil.
Serviço: O encontro “Leituras Imperdíveis” acontece às 19h. Rua Farani, 53, Botafogo. 50 lugares. Distribuição de senhas a partir das 18h.
Uma viagem com o “Prana” de Carlos Malta
Jaciara Rodrigues
Daqui a um ano, no dia 29 de novembro de 2012, Carlos Malta e sua banda Pife Muderno estarão no Carnegie Hall, num festival de música brasileira capitaneado por Gilberto Gil. Essa é a única (e muito comemorada) certeza que o multi-instrumentista, compositor, arranjador, educador e band leader tem para o próximo ano. O “recheio” dos outros meses ainda é uma surpresa. Mas, a julgar pela quantidade e variedade de projetos que criou e dos quais participou em 2011, o único problema será encontrar uma brecha na agenda. Carlos Malta está em um dos momentos mais férteis de sua carreira, de muita inspiração, muitos convites, muitas viagens.
Hoje, por exemplo, Malta se apresenta em Recife (23/11) com o guitarrista Breno Lira, no projeto “Duos”. No sábado (26/11), mostra seu recém-nascido show “Prana” na Biblioteca de Botafogo, no projeto Estação Pensamento & Arte (leia mais no último parágrafo). No início de dezembro (03/12) vai com o Pife Muderno para um festival de jazz e choro em Jericoacoara e, na semana seguinte, estará em Brasília no novo Clube do Choro da cidade.
Em meados de novembro, estava na Ilha de Marajó, no Pará, dando aulas de saxofone no 4º Painel de Bandas da Funarte, que já passou por João Pessoa (PB) e Mariana (MG). De Marajó, seguiu para uma série de shows em São Paulo (capital e interior), com seu Quarteto de Jazz Tudo Azul.
O ano de 2011 também trouxe uma turnê de shows na Dinamarca e nos Estados Unidos (Nova Orleans) com o “tRio” (com o pianista dinamarquês Thomas Clausen e a violonista, percussionsita e cantora brasileira Celia Malheiros).
Malta e o Pife fizeram shows antológicos na China, no Festival de Jazz de Capão (BA) e em Salvador, no projeto Conexão Vivo. No Rio, tocaram com a Orquestra Sinfônica no Oi Casa Grande. Já com seu Quarteto Pimenta (show baseado no repertório de Elis Regina), Malta se apresentou no Sesi e na casa de shows Lapinha (RJ). Ainda sobrou fôlego para dirigir e se apresentar no projeto Gafeira & Graça, com Zé da Velha e Silvério Pontes, em quadras de escolas de samba cariocas.
Paralelo a isso tudo, Malta continuou como músico de Edu Lobo (o único artista com quem mantém esse tipo de vínculo), compôs trilhas para uma peça de teatro de Elisa Lucinda e para um filme independente.
O filho recém-nascido é o show “Prana”, dia 26 de novembro, na Biblioteca de Botafogo, quando sobe ao palco apenas com seus instrumentos de bambu -como as flautas pife e o uruá (Brasil), shakuhachi (Japão) e di-zi (China) – conduzindo uma viagem por sons desconhecidos do grande público. “O bambu é muito especial, matéria-prima com solidez e flexibilidade, que gera uma música simples e requintada ao mesmo tempo… É um show pra olhar pra dentro”, diz, enquanto lança o seu olhar para o passado e o futuro de uma carreira bem conduzida: “Essa é a vida que escolhi e a colheita de 2011 foi farta. Agora? Eu quero é mais!”.
Serviço: 26/11, às 16 horas, Biblioteca de Botafogo – Rua Farani, 53 – Rio de Janeiro (Distribuição de senhas 1 hora antes)
“As liberdades individuais viraram a nova religião” – Arnaldo Branco
Por Juliana Prado
A Biblioteca Popular de Botafogo abre as portas neste sábado (19/11) para a exibição do longa de animação “Persépolis”, dirigido pela quadrinista iraniana Marjane Satrapi. O filme é fruto da história em quadrinhos de mesmo nome que a autora, hoje residindo na França, criou como forma de retratar sua infância e adolescência sob o regime dos aiatolás no Irã – iniciado em 1979. Trata-se de um filme denso, mas que fala, de modo singelo, de uma menina que queria, apenas, viver de acordo com suas vontades.
O cartunista e jornalista Arnaldo Branco é o convidado desta edição do cineclube “Plano-Sequência”, que promove debate e exibição mensal de filmes de destaque na Biblioteca. Para Arnaldo, “pai” do personagem “Capitão Presença”, o filme é interessante justamente por despertar a discussão sobre liberdade. “Persépolis é a historia de alguém que estava retratando a zona de conflito. Ela (Marjane Satrapi) também estava vivendo tudo aquilo, como iraniana. De uma hora para outra, ela, que antes gostava de rock e tal, passou a ter que usar burca”. O quadrinista, que assina a tirinha “Mundinho Animal”, no site G1, vai além. Arnaldo Branco acredita que o chamariz da animação, que chegou a ser premiada em Cannes, é falar de algo muito atual: a busca por direitos básicos. “As liberdades individuais viraram a nova religião”.
Estação Pensamento e Arte – Como foi a escolha de “Persépolis” para a exibição no Plano-sequência deste mês?
Arnaldo Branco – O Rodrigo (Fonseca – crítico de cinema e curador do cineclube) escolheu “Persépolis” e me chamou para comentar o filme. Nós dois já tínhamos participado juntos de debates em outros eventos e ele me convidou para este. É um filme interessante, bacana… Hoje em dia, existe uma certa tendência de valorizar os quadrinhos. E temos muita influência do quadrinho americano. O que é interessante hoje em dia é que está melhorando bastante o intercâmbio com países de outras culturas, como é o caso deste filme. Você agora tem muitos quadrinhos americanos e de outros países (ocidentais) que têm mostrado uma cultura muito diferente da nossa. Um exemplo é o (quadrinista) Joe Sacco, que fala sobre a zona de conflito e a retrata. Ele vai para a Palestina e mostra a experiência dele lá.
- Próximo do que acontece com a Marjane Satrapi, autora de Persépolis, não é?
- Sim, Persépolis é a historia de alguém que estava retratando a zona de conflito. Ela também estava vivendo tudo aquilo, como iraniana. São os anos de juventude dela retratados. Tudo sob a influência dos aiatolás. De uma hora para outra, ela, que antes gostava de rock e tal, passou a ter que usar burca. Com o início do regime dos aiatolás (1979), ela passou por essa mudança. É a história de uma pessoa que não tinha voz, não podia usar as roupas que queria.
- O filme provocou muita polêmica em alguns países em que foi exibido por tratar da questão religiosa e de expor o fundamentalismo… Você acha que isso instiga ainda mais?
- É interessante a polêmica. Você pode até nem estar sob o jugo de um regime, de repente até fora do país, mas sofrer sanções, pois isso faz parte de uma cultura de fundamentalismo. Mas ela (Marjane) não sofreu nenhuma sanção pelo filme. “Persépolis” é um relato do que ela sofreu.
- Ultrapassando as questões políticas, que a avaliação você faz da animação?
- O quadrinho Persépolis já foi feito, de certa forma, com a estrutura de um filme. Ele já podia ser transposto como era para a animação. O timing, claro, é diferente, mas ele é bem fiel.

cena da animação, que provocou polêmica em alguns países e recebeu o prêmio do júri em Cannes em 2007
- “Persépolis” levou o prêmio do júri em Cannes em 2007. A que você atribui essa premiação e tanta atenção ao filme?
- Todo mundo está se levantando por liberdade. As liberdades individuais viraram a nova religião. A internet transformou todo mundo um pouco em estrela. Por isso a gente vê tanta gente se unindo. Todos viraram um pouco formadores de opinião. Há muito a defesa dos direitos individuais. Então, quando você vê essa mulher relatando como é viver num país em que você não pode usar uma roupa que você quer, por exemplo, isso cala fundo nas pessoas. Hoje em dia, existe um engajamento meio inócuo promovido pela internet. Talvez isso não funcione, mas antes você não tinha isso. É uma forma de ter mais acesso ao que está acontecendo no mundo.
Numa só mesa, a cultura do século 21
Por Juliana Prado
A Biblioteca Popular de Botafogo promove, nos dias 14, 16, 17 e 18 de novembro, o seminário “A arte no horizonte do século 21”. O evento, que tem curadoria do crítico literário André Seffrin, busca entender os rumos de várias manifestações artísticas numa época de grandes e rápidas mudanças. Em torno das mesas de bate-papo, serão lançados os desafios sobre os temas Cinema, Artes Visuais, Literatura e Música.
Abrindo o evento, o roteirista Braulio Tavares (de “A Pedra do Reino” e “Besouro”) vai fazer um paralelo entre o Cinema e Literatura. Se a literatura forneceu à sétima arte as noções básicas de enredo, o olho cinematográfico contaminou a narrativa literária do século 20. A questão é: com certeza, no século atual, a influência entre as duas artes ainda pode ser muito forte.
Também na berlinda estarão as Artes Visuais, no encontro marcado para o dia 16. Pelas mãos do crítico e historiador de arte Frederico Morais, serão discutidos o tempo e a reinvenção da arte. A proposta do seminário é destacar a influência da contemporaneidade, além do recorrente – e equivocado – decreto da morte da obra de arte. Sempre que se lança essa ideia “apocalíptica”, ocorre um novo salto e ela acumula forças para uma etapa mais vital ainda.
Já o escritor e professor Marcelo Backes foi chamado a se debruçar, no dia 17, sobre os rumos da Literatura no século 21. O responsável pela mesa ainda vai lançar um desafio, tentando “entender” quais os autores importantes de nosso século que, muito provavelmente, ainda serão lidos no século 22. A proposta do seminário é também discutir como a Literatura chega aos dias atuais, numa era de transformações frenéticas.
E para onde vai a MPB?
Encerrando o encontro, no dia 18, a antropóloga e pesquisadora Santuza Cambraia fala sobre a Música Popular no século 21. As formas atuais de criação e de consumo e a ressignificação do conceito de MPB serão alguns dos temas levados para a pauta da mesa de discussões.
Todas as atividades do projeto “Estação Pensamento & Arte”, que tem curadoria de Suzana Vargas, são gratuitas. A ideia de abrir o espaço a vários eventos passa pela proposta da Secretaria de Cultura do Rio de transformar as bibliotecas municipais em verdadeiros centros culturais da cidade.
Os vastos territórios de Walmir Ayala
Por Juliana Prado
Certa vez, o poeta Ferreira Gullar disse algo sobre a existência de “muitos Walmir Ayala”. Também sobre ele, Drummond, em crônica no jornal Correio da Manhã, sentenciou: sua obra era “uma realidade acima de modismos”. A obra deste múltiplo escritor – o poeta, crítico de arte, autor de infanto-juvenis, dramaturgo, contista… –, ganha destaque na exposição a ser aberta no dia 3 de novembro (quinta-feira) na Biblioteca Popular de Botafogo.
Com curadoria do crítico literário André Seffrin, a mostra reúne cartas, retratos, textos inéditos, documentos manuscritos, fotos, enfim, um vasto material sobre a vida e a produção frenética de Walmir Ayala, morto há exatos 20 anos. Em entrevista ao site, Seffrin fala sobre a importância da homenagem e lista algumas das preciosidades que os visitantes encontrarão ao visitar a mostra.
Estação Pensamento & Arte – Quais os destaques da exposição? O que as pessoas vão encontrar?
André Seffrin – Algumas imagens totalmente inéditas merecem destaque. Entre elas, temos o retrato a nanquim que Carlos Scliar desenhou de Walmir Ayala no final dos anos 1950, dois desenhos com dedicatória, um de Siron Franco, outro de Milton Dacosta, um retrato de Walmir pelo concretista Waldemar Cordeiro, dos anos 1970, um autorretrato do autor, de 1958, fotos de Alair Gomes realizadas em 1973 e 1982, uma das tantas cartas enviadas a Walmir Ayala por Mário Faustino dos Estados Unidos, páginas inéditas de diário, documentos pessoais etc. Entre o material inédito, há alguns livros muito raros das décadas de 1950 e 1960.
- Quais os principais pontos a se enfatizar em relação ao nome do Walmir Ayala?
- Ele é reconhecidamente um dos escritores brasileiros mais premiados que tivemos, e nos mais variados gêneros: poesia, conto, romance, teatro, literatura infanto-juvenil, crítica de arte… Ao ponto de Carlos Drummond de Andrade afirmar, em crônica publicada no Correio da Manhã, que a obra de Walmir é uma realidade acima de modas. Além disso, consagrou-se também como homem de jornal, destacando-se muito cedo como um dos nossos melhores e mais atuantes críticos de arte. Ele também escreveu um dicionário de pintores, além de integrar júris de importantes salões de arte nacionais e internacionais, tais como as bienais de Paris e Veneza. Organizou antologias de poetas novos, foi cronista, memorialista, crítico de literatura e teatro, escreveu sobre música, trabalhou em rádio e, eventualmente, escreveu até argumento e roteiro de cinema. São “os muitos Walmir Ayala”, como afirmou Ferreira Gullar.
- Como foi o trabalho de reunião desse material para a exposição?
- Parte do material reproduzido pertence ao acervo doado ao Plínio Doyle em 1992, integrado hoje ao Arquivo Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa. Outra parte ainda está comigo, de modo que a pesquisa foi orientada principalmente por documentos existentes nestes dois acervos. Apenas dois retratos de Walmir Ayala reproduzidos na mostra pertencem a museus: Museu de Arte do Rio Grande do Sul (óleo de Inimá de Paula, que retrata Walmir em 1967) e Museu Nacional de Belas Artes (óleo de Vicente do Rego Monteiro, Walmir na imagem do escriba Kai, de 1970).
- Lêdo Ivo diz que o poeta é um dos “nossos tesouros escondidos”. Na sua opinião, é tímido o reconhecimento à relevância da obra do Walmir Ayala? Essa exposição vem, de alguma forma, contribuir para corrigir isso?
- É claro que todo evento em torno da obra de um autor contribui para sua divulgação, assim como as sucessivas reedições dos livros, que comprovam que sua literatura permanece viva. No caso de Walmir Ayala temos vários livros constantemente reeditados, a exemplo dos infanto-juvenis. “Era uma vez uma menina”, que está na 38ª edição, e “A pomba da paz”, na 22ª (duas delas na Argentina), ou do romance “À beira do corpo” (na 10ª). Dos anos 1970 a 2011, Walmir Ayala teve mais de 30 títulos diferentes adotados nos planos do governo federal, algo raro entre os autores de sua geração, com títulos vendidos em altas tiragens destinadas a bibliotecas públicas de todo o país. Nos três últimos anos, foi contemplado nos editais do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), o que não é pouco para um autor que faleceu há 20 anos. Apesar disso, uma parcela importante de sua obra permanece inédita: oito livros de poesia, dez volumes de diários… Não é o único escritor brasileiro que, apesar do sucesso de público, não é reconhecido por universidades. Isso porque quase a metade da melhor literatura brasileira repercute bem menos do que merece. Uma pena.
SERVIÇO:
A exposição, que será aberta no dia 3 de novembro, às 19h, pode ser conferida de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, das 10h às 16h. A Biblioteca de Botafogo fica na Rua Farani, 53, Rio de Janeiro.
Feliz semelhança – Duo Santoro encanta plateias
Por Juliana Prado
De várias coisas que fizeram juntos, juntíssimos, em uníssono praticamente, apenas uma destoou. Os violoncelistas Ricardo e Paulo Santoro encontraram o tempo diferente apenas para… emagrecer. De resto, a união dos instrumentistas praticamente sempre promoveu frutos juntos. E essa união fez o seu melhor dever de casa: criou uma dupla de virtuoses na música clássica.
Munidos do inseparável violoncelo, os gêmeos idênticos, membros da Orquestra Sinfônica Brasileira, levam todo seu talento e carisma para a Biblioteca Popular de Botafogo na próxima sexta-feira (28), às 19h. Eles fecharão a programação de outubro do projeto Estação Pensamento & Arte com um “Concerto de primavera” que promete agradar a gregos e troianos.
Com uma declarada e bem pensada mistura de clássico com popular, Ricardo e Paulo prepararam um programa em que cabem Mozart e Bach, além de Zequinha de Abreu e Chiquinha Gonzaga. Tem também Villa-Lobos com seu mágico “Trenzinho do Caipira” e muito mais. É Ricardo Santoro quem, categoricamente, garante: “Fizemos uma seleção de músicas que, em cem por cento dos casos, agrada às pessoas. Elas vão ficar encantadas”.
E, para ajudar tamanho sucesso com o público em 21 anos de estrada, o Duo Santoro usou uma fórmula interessante: juntou o talento que têm com o instrumento e a música clássica com a inventividade e o carisma. No final das contas, as apresentações resultam em números onde a interatividade com o público e a descontração são marcantes. “As pessoas se sentem em casa num concerto do Duo Santoro. Uma das características do nosso concerto é conversar com a plateia. Nós anunciamos a música e falamos um pouco sobre ela e sobre o compositor”.
“Tem gente que vai só pra fazer jogo dos sete erros”
Se sobra talento ao Duo Santoro, cujos integrantes também são membros da Orquestra Sinfônica da UFRJ, o que não falta é virtuosismo na prosa. E Ricardo não hesita em admitir que eles usam certas “peculiaridades” da dupla para fazer o marketing e atrair mais público. “Isso também faz com que nosso público aumente sempre. Tem gente que vai ver nossos recitais para ouvir nossa música, mas tem outras pessoas que vão só pra ver os gêmeos. Tem gente, ainda, que vai para fazer o jogo dos sete erros”, afirma, em divertida alusão à semelhança hipnotizante dos dois.
O grande talento no controle do violoncelo veio por causa do pai, o contrabaixista Sandrino Santoro, referência no instrumento no Brasil. “Foi inevitável. Desde cedo, tínhamos o meu pai como ídolo. Com dez anos de idade, ainda não tínhamos tamanho para tocar contrabaixo (como Sandrino), então ele nos deu flauta doce e falou pra gente começar por ali”. Mais tarde, aos 13 anos, os “Santorinhos”, ainda sem tamanho para o instrumento do pai, ganharam, provisoriamente, um violoncelo. Bastou. “O que era provisório, ficou definitivo”, conta Ricardo.
Desde esse tempo, eles vêm fazendo cumprir a sina dos gêmeos, principalmente os idênticos. “Sempre tocamos juntos. Gêmeos geralmente vão fazer coisas juntos. Estudamos juntos, entramos na sinfônica juntos e montamos o duo Santoro em 1990. Desde lá, não paramos”, encerra Ricardo, todo orgulhoso, não sem antes garantir, com todas as letras: foi o primeiro a perder os quilinhos em excesso.
De qualquer forma, já faz um bom tempo, a dupla anda esbelta a carregar dois belos e bojudos violoncelos por aí. Tudo em nome da música, para encantar as audições pelo Brasil e mundo afora.
“A literatura não é autista” – Milton Hatoum
A fala é mansa, o tom da prosa de quando em quando soa irônico, mas é fato: a cordialidade impera. O escritor Milton Hatoum consegue ser, no mesmo tom, um bom contador de casos e um observador atento e compenetrado do que vai pelo nosso “tempo-hoje”.
De chegada ao Rio para participar do encontro “Leituras Imperdíveis”, nesta quinta-feira (20), na Biblioteca de Botafogo, o autor decreta, quando comenta a importância de diálogos com o público: “a literatura não é autista, ela depende do outro sempre”.
Nesta parceria com o projeto Estação Pensamento & Arte ele fará, a princípio, a leitura de um de seus contos preferidos, “Dois tempos”. Afinal, brinca, entre risos: ler um texto teórico ou um trecho grande de um romance poderia ser uma jogada arriscada. “Leituras muito longas podem ser uma espécie de sonífero. Eu já dormi em conferência, eu já até ronquei, inclusive”. Confira o bate-papo:
E P & Arte - Como tem sido a reação das pessoas nesse tipo de encontro como o que acontecerá na Biblioteca de Botafogo?
Milton Hatoum - Eu acho que o mais interessante é esse diálogo com os leitores. Cada leitor lê o seu texto de uma forma diferente, ele imagina o texto que lê. Cada leitor é potencialmente um leitor crítico. Os bons leitores são críticos. Esse tipo de diálogo enriquece a mim também. Ele me acrescenta coisas que eu não tinha pensado até então. E é sempre importante porque a literatura não é autista. Ela depende do outro sempre. Quando você escreve você está expondo questões com as quais as pessoas vão dialogar.
- Por que a escolha de um conto para esse encontro do “Leituras Imperdíveis”?
- O conto não é o meu gênero preferido, eu gosto de todos. Quando eu começo a escrever nem penso no gênero… Às vezes, ele se impõe, se mostra, se revela. Eu poderia até ler um trecho de um romance meu. Até preparei um texto mais teórico para esse evento… Agora eu estou decidindo se eu vou ler o texto do romance ou o conto. Poderia ler o trecho de um romance. Na verdade, o conto “Dois Tempos”, a princípio o escolhido, como é relativamente curto, em dez ou quinze minutos é possível ler sem que o público adormeça. Leituras muito longas podem ser uma espécie de sonífero. Eu já dormi em conferência, eu já até ronquei, inclusive (risos). Enfim, o “Dois Tempos” é um dos contos de que eu mais gosto…
- O crítico musical João Máximo afirmou ao site dia desses que o jeito de fazer música está mudando. Sem querer “chover no molhado”, você acredita que o jeito de se fazer literatura também está mudando em função da tecnologia?
- A tecnologia afeta, mas não de uma maneira catastrófica. O Philip Roth (escritor americano) disse que a tecnologia ia acabar com a literatura. Eu não concordo. A tecnologia só acaba com a literatura se não houver mais leitura. Ela depende de bons textos e bons leitores. Agora, a questão da internet, das redes sociais, não vejo porque isso… Pode até mudar uma forma de escrever, mas sempre haverá um jovem que lerá grandes livros. E esses jovens, alguns deles, vão escrever. Quem lê (Franz) Kafka, (Fiódor) Dostoiévski e Jorge Luiz Borges não vai escrever como um blogueiro ou como se escreve no Facebook. De qualquer forma, é muito cedo para se dizer o que vai acontecer.
- Ainda estamos no meio do turbilhão, não é?
- Sim, primeiro foi a coisa do livro eletrônico. Disseram que o livro ia acabar. Não acabou. Isso tudo depende muito das crianças, das escolas… Olha, se não se oferecer mais livros de papel, talvez sim (acabe). Nos EUA isso está muito forte. Já na França, por exemplo, não entrou (o livro eletrônico) como nos Estados Unidos. Eu acho que o Philip Roth está com medo justamente porque ele está vivendo isso lá nos Estados Unidos. E tem um ponto importante também: o livro eletrônico dá possibilidades de imagem às crianças, por exemplo, e isso é uma coisa fantástica.
- O seu trabalho é premiadíssimo. O que você achou do Jabuti deste ano, que acaba de ser divulgado? Você é a favor dessas premiações de um modo geral?
- Li o livro do José Castello (ganhador na categoria Romance, com “Ribamar”). Gostei do livro, enfim, ele mereceu, acredito ser o melhor livro do Castello. Mas prêmio também é uma coisa… O fato é que se o livro não for bom, o prêmio não salva o livro. A premiação é válida quando vem com cheque, eu vivo disso (risos). Mas uma estatueta não me faz nada. Até publiquei uma crônica no Estadão sobre isso. Sobre um prêmio que eu ganhei em Manaus. Na época, eu era jovem e fiquei empolgado e acabei dando o prêmio pro meu gato (risos). Olha, o escritor brasileiro que ganhar o Nobel de Literatura, por exemplo, ele tem que dedicar esse prêmio ao Guimarães Rosa ou ao Carlos Drummond de Andrade. Esses não ganharam, e por quê? Mas é lógico que o prêmio torna o livro mais conhecido, mas não muito… O leitor é o grande prêmio do escritor. Esse foi o meu grande prêmio com o “Dois irmãos” (2000- ganhador do Jabuti em 2001), e eu não esperava um número tão grande de leitores com esse livro como aconteceu e acontece até hoje.
Organizando a batucada em plena biblioteca
Por Juliana Prado
Quem põe ordem na batucada nesta terça-feira, dia 18, na Biblioteca de Botafogo é o pesquisador e multiinstrumentista Henrique Cazes. Ele participa do ciclo de palestras sobre a história da MPB e vai falar sobre os principais músicos brasileiros que ajudaram na definição de nossos gêneros musicais a partir do século 19.
Com o atrativo tema “Organizando a batucada – os músicos que fizeram a MPB”, a palestra é uma forma de fazer jus à importância dessas pessoas. “Fala-se muito dos autores, dos compositores, dos intérpretes, e se esquece um pouco dos músicos, que forneceram os aparatos e que caracterizaram de forma definitiva determinados gêneros”, comenta Cazes.
O músico – exímio cavaquinista – cita alguns exemplos de pessoas que foram definidoras de uma determinada forma de tocar. “O Pixinguinha, na década de 1930, por exemplo, encontrou uma maneira de orquestrar que foi decisiva. Aconteceu com a marchinha “Alalaô”, do Nássara, que dizia que tinha um ‘parceiro oculto’ (depois da orquestração que a marchinha ganhou)”.
‘A primeira’
Cazes lembra, também, a relevância da compositora e pianista Chiquinha Gonzaga, ainda no século 19, a “nossa primeira arranjadora”. Entre outros nomes que deram o compasso exato para definir a MPB estão Rogério Duprat, Tom Jobim, Radamés Gnattali, e hoje, Rildo Hora. “O último desses caras arranjadores é o Rildo Hora. Ele foi o responsável por outro jeito de tratar a percussão criando uma série de possibilidades na música”.
No evento da Biblioteca de Botafogo, Henrique Cazes, que é escritor e pesquisador de choro e MPB, vai passear por uma seara um pouco diversa da rotineira. Sempre convidado para falar de Pixinguinha, sobre o choro ou sobre samba e humor – assuntos aos quais se dedica – desta vez envereda por rumos um pouco diferentes. Mas não há dúvida: sobram a ele requisitos para se sentir em casa e, em definitivo, organizar esse batuque.
O encontro acontece das 18h30 às 20h30 e oferece 60 vagas. A Biblioteca Popular de Botafogo fica na Rua Farani, 53.
Ruy Castro e sua “história da música gravada”
Por Juliana Prado
Quem aporta nesta terça-feira, 11 de outubro, na Biblioteca Popular Municipal de Botafogo,
é o escritor e jornalista Ruy Castro. Em pauta, música! “Vou falar sobre a história da música gravada no Brasil e sobre como a interferência da tecnologia já existia desde o início do século 20”. O escritor faz questão de ressaltar que sua palestra vai extrapolar o tema inicial, que foi definido como a “história do disco no Brasil”.
Ruy Castro explica que a evolução tecnológica foi pontual até mesmo para a fixação de certas formas musicais no país. Quem for até a Biblioteca de Botafogo vai conhecer um pouco mais da preciosa história da música, com direito a detalhes sobre a invenção do microfone, da alta fidelidade, do estéreo e de outros formatos que influenciaram a produção musical.
Rejeitando o título de saudosista – “saudosista é quem tem saudade da infância, eu só trabalho com a história” -, Ruy Castro se diz um curioso. E chama atenção para a relevância das invenções, que podem ser transformadoras, como no caso da música: “O ser humano passou a vida inteira inventando e essas invenções foram muito mais importantes do que a gente imagina”.
O evento acontece a partir das 18h30 e faz parte do ciclo de palestras “História da MPB”. No dia 4, participou o jornalista João Máximo. No dia 18 de outubro, será a vez do pesquisador Henrique Cazes, falando dos músicos que fizeram a MPB. A Biblioteca Popular Municipal de Botafogo fica na Rua Farani, 53.
A imagem na narrativa
Por Juliana Prado
O premiado ilustrador e diretor de cinema de animação, Rui de Oliveira, comanda, a partir desta segunda-feira, 10 de outubro, um curso voltado para a arte da ilustração. As aulas acontecem na Biblioteca Popular de Botafogo e vão abordar a estética, a história e as técnicas desta arte.
Dirigido a professores, alunos de arte e comunicação, bibliotecários, editores e demais interessados em estudar a imagem como elemento narrativo, o curso é gratuito e acontece nos dias 10, 17, 24 e 31 de outubro, sempre das 18h às 20h.
As inscrições, no entanto, estão encerradas, pois o número de interessados excedeu em mais de 50% o número de vagas.
Divulgação pela web
Por Juliana Prado
Pode até ser que não haja aquela fórmula líquida e certa para obter bons resultados com o marketing pessoal na internet. Mas, especialistas já detectaram, existem caminhos seguros a seguir. Para falar sobre o tema e mostrar algumas saídas na hora de fazer informativos e boletins para serem divulgados por email, as escritoras Paula Cajaty e Valéria Martins vão comandar a oficina “E-mail marketing: construindo e divulgando sua newsletter”. O curso, que faz parte do projeto Estação Pensamento & Arte, da Biblioteca Popular Municipal de Botafogo, acontece nos dias 7, 14, 21 e 28 de outubro. Como todos os cursos e oficinas da biblioteca, este também é gratuito.
De acordo com Paula Cajaty, que produz há 4 anos o “Boletim leituras” para mais de 4 mil leitores, existem alguns aspectos para não errar na hora de se comunicar e “vender seu peixe” na web. “Considero como mais importante o seguinte: é preciso ter olhar crítico e a sensibilidade aguçada para captar tendências e desvendar o que deixa de ser interesse de um e se torna interesse de uma coletividade (ainda que conte com poucos integrantes)”.
Outra dica certeira – que muitos frequentadores de redes sociais já devem ter percebido – é evitar os excessos, “especialmente num mundo onde excessos são cultuados e celebrados”, ensina Paula.
A escritora, formada em Publishing Management pela FGV, decreta: é preciso não se distanciar nunca da arte do equilíbrio, “que anda muito esquecida”. Fundamental também é sempre aliar o design adequado com conteúdo de boa qualidade. Com esses ingredientes, acredita, misturados a bastante criatividade e sentido inovador, “fica difícil não acertar a mão e fazer sucesso com o público na internet”.
As aulas da oficina acontecem sempre das 17h às 19h. A Biblioteca Popular de Botafogo fica na Rua Farani, 53.
Oficina de HQs – hora de traçar histórias
Por Juliana Prado
Os aficionados em histórias em quadrinhos sabem muito bem: existe um universo paralelo a se desvendar quando se remexe o mundo fantástico destes traços de narrativas lúdicas. Para entender um pouco mais deste mecanismo, a Biblioteca Popular Municipal de Botafogo estreia o curso “Quadrinhos: sua história, sua prática”. As aulas, que acontecem nos dias 6, 13 e 21 de outubro, serão comandadas pelo ilustrador e quadrinista Cisko Diz.
De acordo com o responsável pelas aulas, a idéia é motivar os participantes a desenvolver sua capacidade de criar. “Quero abrir a cabeça do cara. De repente, a pessoa tem aquela ‘coceirinha no cérebro’, mas olha um profissional da área, com um excelente trabalho, e pode travar”. A proposta de Cisko é justamente incentivar participantes a evitar esse curto circuito.
Para o professor, que é uma fera no desenho, o aluno tem que entender que vai chegar lá e saber que pode, sim, fazer uma HQ com uma matéria-prima simples, sem grandes rebuscamentos. O que importa (parece ser esse o norte de Cisko Diz) é valorizar a ideia que surge na mente e seguir em frente.
Apesar do requisito óbvio de saber desenhar, a oficina não tem uma faixa etária específica estabelecida. Para motivar a tal “coceirinha no cérebro”, o ilustrador vai passar noções de como construir uma HQ curta, como montar o personagem, além de tratar de estrutura de página, arte final, tratamento digital, entre outros pontos. Também passará uma breve história das HQs, suas possíveis origens, os tipos de quadrinhos e o mercado atual.
O cara – Cisko é ilustrador, storyboarder e quadrinista. No momento atua em uma webcomic de sua autoria chamada “Os filhos de Jorge” (f). Também trabalha em cinema e TV, onde fez storyboard para a primeira temporada de Mandrake (HBO e Conspiração). No cinema, fez storyboard para o filme “Parada 174”, do diretor Bruno Barreto. A oficina acontece das 18h às 20h.
O Olhar de João Máximo sobre a Música Popular
Por Juliana Prado
Essa terça-feira, 4 de outubro, promete ótimos momentos a quem prestigiar a palestra “A história da Música Popular Brasileira”, na Biblioteca Popular Municipal de Botafogo. O “regente” do encontro, que acontece das 18h às 20h, será o escritor e crítico musical João Máximo. O pesquisador reconhece que o Brasil, pela sua peculiar falta de memória, começou a pensar sua música popular muito tarde, por volta dos anos 1970.
Mas, otimista, ele destaca um ponto fundamental quando o assunto é o tratamento que a academia dá à música no Brasil: “Eu não conheço país no mundo que estude tanto e de tão variadas maneiras a música popular como o Brasil. Em outros países não há isso: as ciências sociais a serviço da música”.
No bate-papo, que, como todos os eventos do projeto “Estação Pensamento e Arte”, tem entrada gratuita, deve haver lugar para discussões que passam pela Bossa Nova até a música contemporânea. E quando o assunto é o presente, João Máximo descarta o discurso saudosista: “não gosto de dizer: ‘ah, bom era no meu tempo…’ Quando entramos no universo da arte, tenho muita cautela em afirmar isso”. E ainda brinca: “O meu amigo Ruy Castro não tem vergonha de dizer que filme bom pra ele foi até 1955. Eu não sou tão saudosista (risos)”.
‘Nova letra’
João Máximo destaca, no entanto, que existe um nítido movimento de mudança na forma de se fazer música no século 21. “Assim como houve mudança entre a música do século 20 para o século 19, hoje acontece o mesmo”, afirma, sem necessariamente taxar a música contemporânea como algo menor.
O escritor ainda não sabe os rumos que sua palestra irá tomar. “Vamos ver o que quer a plateia, não é?” Pode até sobrar espaço para falar de coisas muito presentes, como o Rock in Rio, que acaba de fechar os portões. “O Rock in Rio meio que ocupa o espaço dos festivais de jazz. Claro que é diferente, mas reúne tendências musicais muito diversas num só palco. É um tipo de evento musical bem mais aberto, como aqueles festivais”.
Música ao fim da tarde
Daniela Spielmann na Biblioteca de Botafogo
Líder do quinteto Rabo de Lagartixa, integrante da banda Altas Horas (do programa de Serginho Groisman na TV Globo), a saxofonista carioca Daniela Spielmann participa do concerto de primavera, na Biblioteca de Botafogo, às 18h30, na sexta-feira, 30.
A artista também já fez parte da Rio Jazz Orquestra, onde se destacou como solista em números de chorinho e gravou com vários artistas da MPB, como Jorge Ben Jor, Sandra de Sá, Zé Keti, Moraes Moreira e Victor Biglione.
Atividade gratuita, com distribuição de senhas 1 hora antes.
Amanhã, 29, encerra-se o seminário Livro Digital: uma realidade com a palestra do editor Júlio Silveira sobre o livro digital e o mercado.
A programação de outubro começa já no sábado, 1, com o Caldeirão de Histórias de Fátima Café. A atividade é para crianças, mas agrada também aos papais e avós. Grátis, às 11 horas, com distribuição de senhas 1 hora antes.
‘Artesão do olhar’
Walter Firmo é uma simpatia e transformou a noite de terça em um encontro de afetos.
Na abertura da mostra “Walter Firmo de A a Z – Abstrato Extrato”, o fotógrafo várias vezes premiado conversou com o público sobre sua história no fotojornalismo e seu processo de criação artística. Para ele, a fotografia é uma construção artesanal do olhar, que pode ser categorizado em três tipos: o ladrão, o engenheiro e o invisível. O primeiro “rouba” o fato na hora de seu acontecimento, o segundo elabora meticulosamente e o terceiro é aquele que observa e captura o que há de mais sensível. Este último seria o olhar de Cartier Bresson, segundo Firmo.
Em resposta às perguntas da plateia, disse considerar a fotografia em cor o “farfalhar da banda de música”, enquanto a foto P/B exige ao mesmo tempo sensibilidade e técnica. As duas, no entanto, podem ser expressões de um mesmo artista. Como notamos em sua própria trajetória.
O lado afetivo da noite ficou por conta do reencontro de Walter Firmo com dois amigos e companheiros de jornalismo: Sérgio Cabral e Maria Inês Duque Estrada. Estiveram também presentes Lêda da Fonseca e Ana Cristina Pujol, representantes da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.
A mostra segue até 28 de outubro e pode ser vista entre 9 e 17 horas, de segunda a sexta, e aos sábados de 10 às 16 horas, na Biblioteca Popular de Botafogo.
Fotos: Washington Carvalho
Ciclo de palestras com Eduardo Rozenthal
Inicia hoje, 14/09, às 18 horas, o ciclo de palestras “O público e o privado no pensamento contemporâneo”.
O psicanalista Eduardo Rozenthal abre o ciclo com a palestra “Sociedade do excesso, sujeitos compulsivos: dai-nos o ipad novo de cada dia”. As inscrições podem ser feitas pelo telefone 3235-3799, no local do evento (Biblioteca Popular de Botafogo), ou aqui no site (ver em Programação).
No próximo dia 21 é a vez de Maria Cristina Franco Ferraz, doutora em filosofia, discorrer sobre “Partilhas históricas entre o público e o privado e suas implicações éticas”. Fechando o ciclo, no dia 27, o professor de filosofia Auterives Maciel fala sobre a “Ética em Nietzsche”.
Walter Firmo na Biblioteca Popular de Botafogo
Um Prêmio Esso de Jornalismo, quatro prêmios internacionais, capas de CDs de Tim Maia, Chico Buarque, Djavan e Fafá de Belém. Com um currículo recheado de títulos, feitos e nomes importantes, o fotógrafo Walter Firmo – primeiro brasileiro a expor suas fotos no MAM do Rio de Janeiro, depois apenas do ícone Henri Cartier-Bresson – apresenta sua nova exposição, “Walter Firmo de A a Z – Abstrato Extrato”, na Biblioteca Municipal de Botafogo (Rua Farani, nº 53), dentro do projeto Estação Pensamento & Arte, a partir dessa terça-feira, 13.
Na ocasião, Firmo conversa com Suzana Vargas sobre seus 50 anos de carreira. A mostra é composta por 14 fotografias, em que o fotógrafo explora uma nuance mais artística, atribuindo impressões de pintura às fotos. Grátis. (Texto: SMC-Rio, com adaptações)
Confiram a programação de setembro
Oficina de Poesia e Letra de Música, com Mauro Santa Cecília, parceiro de Frejat, do Barão Vermelho.
Professor da UFRJ, José Maurício Gomes de Almeida ministra o curso Do Impressionismo à Modernidade.
Com início no dia 14, novo ciclo de palestras: O Público e o Privado no Pensamento Contemporâneo, com Eduardo Rosenthal, Maria Cristina Franco Ferraz e Auterives Maciel.
Agosto foi assim na Estação Pensamento & Arte
Curso de filosofia com Antonio Cícero
O poeta, ensaísta e também autor de letras de canções, Antonio Cícero, ministra o curso “Introdução à Filosofia” na programação do projeto Estação Pensamento e Arte.
Mais informações sobre o curso “Introdução à Filosofia” em nosso blog.
Mia Couto inaugura a Estação Pensamento & Arte
O escritor moçambicano Mia Couto participou no último dia 8 de uma conversa especial com seus leitores, na inauguração do projeto Estação Pensamento & Arte…
Leia mais sobre a palestra de Mia Couto em nosso Blog e comente.
A Prefeitura do Rio e a Secretaria Municipal de Cultura abrem as portas da Biblioteca Popular Municipal de Botafogo para o projeto Estação Pensamento & Arte. A população carioca está convidada a participar, gratuitamente, de cursos, palestras, oficinas e apresentações musicais e poéticas, com renomados artistas e especialistas que contribuem para o enriquecimento da cultura brasileira. O evento também cumpre o objetivo de fortalecer as bibliotecas públicas como espaços culturais, promovendo encontros de leitores e difusão do conhecimento.
Lêda da Fonseca
Coordenadora de Livro e Leitura
Secretaria Municipal de Cultura
O projeto Estação Pensamento & Arte deseja ocupar a Biblioteca Popular Municipal de Botafogo com uma programação que contemple os múltiplos setores da cultura, caracterizando a biblioteca como espaço de informação, atualização, reflexão e lazer. Desse modo, idealizamos atividades variadas que, para além do livro, façam convergir interesses diversificados: da música ao cinema, passando pelas artes visuais até chegarmos à matéria prima da informação: o livro em toda a sua amplitude e nuances.
Amplifica-se aqui a concepção de leitura como co-criação e investigação. É com alegria que a Estação das Letras concebe e produz este espaço, cuja oferta intensa de eventos – desejamos – possa incorporar-se à comunidade carioca, satisfazendo sua demanda por cultura e lazer gratuitos e de boa qualidade.
Suzana Vargas
Curadora



















Ficha de inscrições Eventos de Dezembro 
